Lançado no último dia 7 de maio, durante a 10ª edição do Salão do Turismo, em Fortaleza (CE), o “Guia Para Atender Bem Turistas Neurodivergentes” marca um avanço na construção de um turismo mais humano, acessível e acolhedor no Brasil.
Desenvolvido em parceria entre o Ministério do Turismo (MTur) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o material reúne orientações práticas para qualificar o atendimento e promover experiências mais inclusivas para esse público no setor turístico.

O guia foi construído a partir de uma pesquisa nacional, coordenada pela Prof.ª Dra. Marklea Ferst em parceria com o MTur, realizada entre fevereiro e março de 2026. O levantamento ouviu 761 participantes, entre pessoas neurodivergentes (como pessoas autistas, com TDAH e dislexia), familiares e profissionais da área. Os resultados revelaram desafios que ainda fazem parte da experiência turística desse público.
Entre os entrevistados:
- 90,1% relataram já ter sofrido julgamentos relacionados a comportamentos neurodivergentes;
- 89,8% apontaram falta de compreensão das necessidades por parte das equipes;
- 87,5% destacaram a ausência de flexibilidade durante os atendimentos;
- 77% relataram dificuldade em lidar com tempo de espera sem previsibilidade;
- 72,7% apontaram o barulho intenso como um dos principais gatilhos de desconforto.
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, reforçou o empenho do Governo do Brasil no sentido de ampliar o acesso a direitos e de aprimorar a atenção para àqueles que necessitam de cuidados especiais. “A partir dos dados da pesquisa, criamos esse guia para que os turistas se sintam mais seguros quando forem viajar e, principalmente, para que o empreendedor esteja preparado para receber o turista neurodivergente”, afirmou.
De acordo com Feliciano, muitas das adaptações necessárias são simples e acessíveis ao setor turístico. “São adaptações acessíveis a todo o trade turístico. Na maioria das vezes, são informações básicas que podem ser compartilhadas antes da viagem, aumentando o acolhimento dessas pessoas”, completou.
Para a professora Marklea, o diferencial do guia está justamente em aproximar o conteúdo da realidade vivida por profissionais e turistas.

“O guia foi criado para ajudar o operador da atividade turística a saber como agir diante de situações reais. Não é um material teórico. Para cada desafio, existem sugestões de adaptações práticas e exemplos de soluções possíveis”, explicou.
Entre as recomendações apresentadas no material estão a criação de áreas de pausa e regulação sensorial, redução de estímulos sonoros, sinalização clara de ambientes, flexibilização de procedimentos, treinamento contínuo das equipes e compartilhamento prévio de informações sobre tempo de espera, iluminação e possíveis gatilhos sensoriais.
Além de propor mudanças estruturais, o guia reforça que pequenas atitudes podem transformar completamente a experiência de viagem de uma pessoa neurodivergente, garantindo que possam ocupar os espaços com segurança e dignidade.
Leia o guia AQUI.